Na semana seguinte fui num encontro em inglês mas infelizmente as informações dadas não foram exatamente o que eu precisava, mas pelo menos conheci outros estudantes internacionais muito legais com os quais visitei o Mont Royal.
Achei a UdeM meio desorganizada e burocrática. Não tive autorização para fazer matrícula pela internet por ser aluna de intercâmbio e até descobrir onde ir e com quem falar demorou muito.
Em primeiro lugar fiquei neurótica ao descobrir que a única matéria que eu tinha que fazer de verdade pra tentar equivalência na USP não tinha mais vagas. A saber, Shakespeare. Mandei emails, fiz ligações e falei pessoalmente com a pessoa responsável pelo departamento, que foi muito educada e tranquilamente disse que ia ver se tinha vaga e dez segundos depois me matriculou. Fácil, né? Por que, então, dizer que não tem mais vagas? Ainda mais numa turma que descobri que tem menos de 15 alunos. Vai entender.
Em seguida fui me inscrever no curso intensivo de francês. Andei até o prédio do departamento só pra descobrir que não precisava ter ido lá. Enfim, depois de falar em francês macarrônico com meio mundo, consegui finalemente me matricular nas matérias que precisava.
Outro parto foi conseguir fazer a carteirinha da Universidade, depois de umas três tentativas, andar pra cá, andar pra lá e falar mais francês ainda, finalmente consegui fazer a carteirinha.
Tudo isso para duas matérias. A de Shakespeare, que começou na semana passada e o curso intensivo de francês que começou esta semana.
Em Shakespeare o professor Irving Wolfe entra e sai sem dizer boa noite, mas a aula é muito boa. Estamos lendo The Taming of the Shrew, depois leremos Henry IV e depois Romeo and Juliet, que também iremos assistir no teatro. Comecei a ler sozinha, mas não entendi muito, lendo na aula com ele é bem mais fácil.
O curso de francês também é bom, mas super cansativo. Temos duas professoras, ambas boas, mas com certos defeitos que só professores bem treinados conseguem nomear enquanto alunos fora da área às vezes nem notam.
Metade da classe é de chineses e o restante é cada um de um lugar diferente. Fico imaginando como meu sotaque soa para quem é francófono. Tem gente que só consegue fazer o R vibrante (como no Sul do Brasil), outros só fazem o R retroflexo (como o nosso R caipira) e eu dou risada, mas vou é cuidar da minha vida pois tenho problemas graves a resolver com meu próprio francês.
Outra coisa desorganizada na UdeM é eles ficarem me enviando boletos para pagar quando não deveriam nem falar no assunto dinheiro comigo. Alunos em intercâmbio pelo CREPUQ só devem pagar a própria faculdade e não a faculdade do intercâmbio. No começo eu me cansava e ficava irritada com esses boletos, mas resolvi desencanar. Não vou pagar nada e no máximo eles levarão mais tempo para descobrir os erros administrativos.
Uma coisa interessante de se notar é a sujeira dos banheiros. Dêem só uma olhada:
"Com certeza não é escrevendo no banheiro que alguma coisa vai mudar."
O mesmo bla bla bla de todo banheiro sujo.
A qualidade do papel para enxugar a mão é tão ruim que eles têm medo de entupir a privada. Um detalhe bom de saber é que aqui é comum jogar papel na privada e geralmente não entope.
Com todos os defeitos de burocracia, falta de comunicação entre departamentos e sujeira nos banheiros o que importa é que estou aprendendo muito de Shakespeare e muito francês. O plano é mergulhar na língua agora durante o outono para poder escolher matérias mais interessantes em francês no período do inverno. A primeira semana foi um pouco difícil e cansativa, mas espero me acostumar logo com o ritmo.